Padrões e frameworks

GRI, ISSB, SASB, TCFD, TNFD e CDP: para que serve cada referência

As siglas parecem concorrer entre si, mas cumprem funções diferentes. Entender foco, público e escopo evita relatórios redundantes e escolhas inadequadas.

Resposta rápida

Não existe um framework único que substitua todos os demais

GRI concentra-se em impactos da organização sobre economia, ambiente e pessoas. IFRS S1 e S2, emitidas pelo ISSB, focam riscos e oportunidades de sustentabilidade relevantes para usuários de relatórios financeiros de propósito geral. SASB oferece orientação setorial. TNFD trata natureza. CDP opera um sistema de divulgação ambiental.

A TCFD foi encerrada em 2023, e suas recomendações climáticas foram incorporadas ao ISSB. Ainda assim, sua arquitetura continua presente em práticas e exigências de mercado.

Por que tantas siglas coexistem

Por que tantas siglas coexistem

O ecossistema de divulgação evoluiu por necessidades diferentes. Investidores querem compreender riscos e oportunidades capazes de afetar perspectivas financeiras. Stakeholders mais amplos também precisam conhecer impactos sobre pessoas e meio ambiente. Setores possuem riscos específicos. Clima e natureza exigem métricas e análises próprias.

Por isso, comparar apenas nomes gera confusão. O critério correto é perguntar: qual decisão esta referência procura apoiar, para qual público e com qual tipo de informação?

GRI

GRI: impactos e temas materiais

As Normas GRI foram desenvolvidas para que organizações reportem seus impactos sobre economia, meio ambiente e pessoas. O sistema combina normas universais, setoriais e temáticas. A definição de temas materiais parte dos impactos mais significativos.

GRI é especialmente útil quando a organização precisa explicar efeitos, gestão dos impactos e respostas a stakeholders diversos.

ISSB e SASB

ISSB e SASB: informação de sustentabilidade conectada às perspectivas financeiras

IFRS S1 estabelece requisitos gerais para divulgação de riscos e oportunidades de sustentabilidade que podem afetar fluxos de caixa, acesso a financiamento ou custo de capital. IFRS S2 aprofunda clima.

Os SASB Standards permanecem relevantes como orientação setorial. A IFRS Foundation indica que empresas que aplicam IFRS S1 devem considerar os tópicos de divulgação do SASB para identificar riscos e oportunidades específicos da indústria.

TCFD

TCFD: legado climático incorporado ao ISSB

A TCFD estruturou divulgações climáticas em quatro pilares: governança, estratégia, gestão de riscos, métricas e metas. O Financial Stability Board encerrou a força-tarefa em 2023 após a publicação das normas ISSB.

A IFRS Foundation informa que IFRS S1 e S2 incorporam plenamente as recomendações da TCFD. Portanto, ela deve ser compreendida hoje sobretudo como base histórica e arquitetônica do reporte climático moderno.

TNFD e CDP

TNFD e CDP: natureza e divulgação ambiental

A TNFD organiza a avaliação e divulgação de dependências, impactos, riscos e oportunidades relacionados à natureza, também em quatro pilares. Seu escopo vai além de biodiversidade isolada e alcança localização, cadeia de valor, dependências e impactos.

O CDP, por sua vez, funciona como sistema de divulgação ambiental. Em 2026, seu ciclo inclui clima, florestas, segurança hídrica, biodiversidade, plásticos e também oceanos. Ele coleta dados para empresas, investidores, compradores e outros usuários.

Como escolher sem criar uma colcha de retalhos

Como escolher sem criar uma colcha de retalhos

Comece pelas obrigações e pelos usuários da informação. Depois identifique temas materiais e necessidades setoriais. Uma empresa pode utilizar GRI para impactos, ISSB para informação financeira de sustentabilidade e CDP para responder a solicitações ambientais, sem transformar isso em três sistemas de gestão desconectados.

O objetivo deve ser uma base única de governança, dados, controles e responsabilidades capaz de alimentar diferentes divulgações.

Framework é linguagem; gestão continua sendo responsabilidade da organização

Framework é linguagem; gestão continua sendo responsabilidade da organização

Nenhuma sigla substitui estratégia, controles ou qualidade de dados. Padrões ajudam a estruturar informações e comparabilidade, mas a credibilidade depende do processo que existe por trás do relatório.

A melhor escolha não é o framework mais famoso. É a combinação mais coerente com obrigações, materialidade, stakeholders e capacidade de execução.

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